Aeroporto de Hong Kong cancela voos após milhares ocuparem o local em protesto

O aeroporto de Hong Kong anunciou o cancelamento de todos os voos previstos para a tarde da segunda-feira (12), devido a um grande protesto antigoverno realizado dentro do terminal.

Simultaneamente, Pequim disse que as manifestações no território nos últimos dois meses começaram a mostrar “sinais de terrorismo”, e pediu às autoridades para que exerçam “punho de ferro” ao abordar o que chamam de “crime violento” em Hong Kong.

A paralisação durou praticamente o dia todo. Só por volta das 6h de terça (13, 19h de segunda pelo horário de Brasília) o governo anunciou que os voos seriam retomados.

Mas a companhia aérea Cathay Pacific, a principal do território, disse que mesmo assim mais de 200 voos devem ser cancelados durante esta terça.

Ao menos 5.000 manifestantes ocupavam o aeroporto nesta segunda, e 199 voos foram cancelados. Desde sexta-feira (9), milhares realizam atos no aeroporto internacional de Hong Kong, um dos mais movimentados do mundo, para sensibilizar os visitantes estrangeiros sobre os protestos, que começaram há dois meses.
“Exceto os voos de partida que já concluíram o embarque e os que estão a caminho para pousar, todos os demais voos foram cancelados pelo resto do dia”, anunciou a direção do aeroporto.

“A informação que recebi era que no terminal de passageiros do aeroporto havia mais de 5.000 manifestantes”, afirmou Kong Wing-cheung, superintendente do departamento de Relações Públicas da polícia.

A maioria deixou o local após a meia-noite, mas cerca de 50 permaneceram.

O aeroporto de Hong Kong foi o oitavo mais movimentado do mundo em 2018, segundo um relatório divulgado pelo ACI (Conselho Internacional de Aeroportos) em março. O local recebeu 74,5 milhões de passageiros no ano passado. Como comparação, o aeroporto de Guarulhos, o mais movimentado do Brasil, teve 42 milhões de viajantes.

Wing-cheung disse que as autoridades do aeroporto, e não a polícia, permitiram que os manifestantes se reunissem nas áreas de embarque, mas acusou os ativistas de bloquearem as saídas.

“Alguns manifestantes seguiram para as salas de embarque e impediram que os passageiros chegassem às áreas restritas e exercessem sua liberdade individual, como a de embarcar em seus voos”, disse.
Mais cedo, a companhia aérea Cathay Pacific, pressionada pela China, advertiu que seus funcionários poderiam ser demitidos em caso de apoio ou participação em “protestos ilegais” em Hong Kong.

A Direção Geral da Aviação Civil chinesa exigiu da Cathay Pacific, na sexta-feira (9), os nomes dos funcionários de seus voos com destino a China, ou que passem pelo espaço aéreo do país.

Pequim afirmou que os funcionários que apoiam o movimento não seriam autorizados aos voos. A companhia aérea informou que atenderia as demandas.

“A Cathay Pacific tem uma política de tolerância zero a respeito de atividades ilegais. Em particular, no contexto atual, existirão consequências disciplinares para os funcionários que apoiem ou participem em protestos ilegais”, afirmou a empresa.

“As consequências podem ser graves e implicar a rescisão do contrato de trabalho.”
O governo chinês tem endurecido seus alertas contra os protestos. Nesta segunda-feira, o Conselho de Estado para Hong Kong e Macau disse que atacar policiais com armas “é um crime violento e mostra sinais de terrorismo”.

A crítica foi divulgada pelo jornal estatal Global Times, junto a um vídeo que mostra manifestantes usando lançadores de granadas, armas de laser, lançando coquetéis molotov e desmontando barreiras de trânsito para montar barricadas.

A polícia chinesa também realizou exercícios ostensivos na cidade vizinha de Shenzen, num sinal de que a repressão em Hong Kong pode ser ampliada.

Especialistas afirmam que descrições oficiais das ações de alguns manifestantes como “terrorismo” podem levar ao uso de leis específicas contra eles.

O líder republicano do Senado americano, Mitch McConnell, disse que os manifestantes estavam “resistindo bravamente ao Partido Comunista Chinês”, e que uma repressão violenta seria completamente inaceitável.

Os ativistas do aeroporto têm sido educados e os passageiros, na sua maior parte, não são perturbados. “Eu estava esperando algo, dadas todas as notícias”, disse à Reuters Gurinda Singh. “Estou feliz que meu avião chegou e os protestos aqui parecem pacíficos.”

Ex-colônia britânica, Hong Kong passou ao domínio chinês em 1997. No entanto, a região possui sistemas políticos e judiciais diferentes do resto da China. Os ativistas acusam o governo de Pequim de tentar restringir as liberdades que possuem hoje.

A atual onda de protestos surgiu após o projeto de uma polêmica lei de extradições que permitiria o envio de condenados para a China para serem julgados por tribunais controlados pelo Partido Comunista, considerados menos justos do que os de Hong Kong, que detêm certa autonomia.

O projeto foi suspenso, mas os manifestantes continuam exigindo sua retirada final, bem como a renúncia da líder executiva local, Carrie Lam.

Na semana passada, uma greve geral paralisou parte dos transportes, levou ao cancelamento de mais de 200 voos e gerou reflexos no mercado financeiro.

*Fonte: Folha de São Paulo

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