Como funciona o treinamento de trabalhadores embarcados?

Para trabalhar embarcado, o profissional deve passar por um treinamento específico. Existe até mesmo uma norma que trata desse treinamento; a NR-37. É uma preparação que ajuda a garantir a segurança de quem desenvolve suas atividades em uma plataforma offshore. A empresa que não oferece essa preparação, além de colocar a equipe em risco, também assume a chance de sofrer sanções administrativas e legais.

Neste post, você verá como funciona o treinamento de trabalhadores embarcados, aprendendo os principais pontos da NR-37. Confira!

A Norma Regulamentadora 37

A NR-37 foi publicada em 20 de Dezembro de 2018. Ela diz respeito a práticas para saúde e segurança em plataformas de petróleo. Além do treinamento de trabalhadores embarcados, também aborda questões como alimentação, climatização, instalações elétricas, prevenção e combate a incêndios e até o Plano de Resposta a Emergências. É uma norma essencial para o desenvolvimento de atividades offshore.

As determinações da NR-37 para o treinamento de trabalhadores embarcados

Segundo a Norma Regulamentadora 37, é responsabilidade da operadora da plataforma a implementação de um programa de capacitação com foco em saúde e segurança no trabalho, o qual deve incluir:

  • briefing de segurança da plataforma;
  • treinamento antes do primeiro embarque;
  • treinamento eventual;
  • treinamento básico;
  • treinamento avançado;
  • reciclagem dos treinamentos;
  • diálogo Diário de Segurança (DDS).

A seguir, você vai descobrir as características esperadas de cada um desses itens.

Briefing de segurança da plataforma

O briefing de segurança da plataforma são orientações gerais que o trabalhador deve receber a cada embarque. Esse briefing deve apresentar um conteúdo mínimo, com os seguintes tópicos:

  • características da plataforma e seu estado;
  • tipos de alarme disponíveis a bordo, especialmente os alarmes de emergência;
  • procedimentos de agrupamento e de evacuação;
  • rotas de fuga;
  • localizações dos recursos de salvatagem, como coletes e boias;
  • identificação das lideranças de bordo;
  • regras de convívio a bordo;
  • cuidados básicos de higiene e saúde pessoal.

Treinamento antes do primeiro embarque

O treinamento antes do primeiro embarque de trabalhadores embarcados é realizado apenas na primeira vez em que eles vão subir à bordo da plataforma. Ele não é obrigatório para comitivas, visitantes e pessoal com função estritamente administrativa. Deve ter carga horária de, no mínimo, 6 horas, abordando os seguintes tópicos:

  • meios e procedimentos de acesso à plataforma;
  • condições e meio ambiente de trabalho;
  • substâncias combustíveis e inflamáveis presentes a bordo: características, propriedades, perigos e riscos;
  • áreas classificadas, fontes de ignição e seu controle;
  • riscos ambientais existentes na área da plataforma;
  • medidas de segurança disponíveis para o controle dos riscos operacionais a bordo;
  • outros riscos inerentes às atividades específicas dos trabalhadores e as suas medidas de controle e eliminação;
  • riscos psicossociais decorrentes de vários estressores, como jornada prolongada, trabalho em turnos e noturno, abordando seus efeitos nas atividades laborais e na saúde;
  • riscos radiológicos de origem industrial ou de ocorrência natural, quando existentes;
  • produtos químicos perigosos e explosivos armazenados e manuseados a bordo;
  • ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ);
  • equipamentos de Proteção Coletiva (EPC);
  • equipamentos de Proteção Individual (EPI);
  • procedimentos a serem adotados em situações de emergência.

A reciclagem desse treinamento deve ser realizada a cada 5 anos. Também deve haver uma reciclagem com o trabalhador que retorna de afastamento superior a 90 dias, ou com todos os trabalhadores, caso ocorra alguma alteração nas análises de riscos da plataforma. A reciclagem deve ter, no mínimo, carga horária de 4 horas.

Treinamento Eventual

O treinamento eventual deve ser ministrado em algumas situações específicas, expressamente previstas na NR-37, por exemplo, em caso incidente de grande relevância ou de acidente grave ou fatal, seja na própria instalação ou em outras plataformas. A norma não prevê carga horária, conteúdo e nem determina quais trabalhadores embarcados devem participar dos treinamentos eventuais, deixando que a operadora da plataforma defina essas questões, com base em análises de riscos.

Treinamento Básico

O treinamento básico deve ser ministrado aos trabalhadores que entram na área operacional na plataforma para realizar atividades específicas, eventuais ou pontuais, como serviços de manutenção ou inspeção. Esse treinamento deve ter, no mínimo, carga horária de 4 horas, abordando os seguintes tópicos:

  • conceitos e exercícios de análise preliminar de riscos;
  • permissão para trabalho, a frio ou a quente, na presença de combustíveis e inflamáveis;
  • aditivos químicos e composição dos fluidos empregados nas operações de perfuração, completação, restauração e estimulação (quando aplicável);
  • noções dos sistemas de prevenção e combate a incêndio da plataforma.

As regras para reciclagem do treinamento básico são as mesmas que se aplicam ao treinamento antes do primeiro embarque.

Treinamento Avançado

Além do treinamento básico, os trabalhadores que entram na área operacional da plataforma para ter contato direto com os processos precisam, também, passar por um treinamento avançado. Esse treinamento deve ter, no mínimo, carga horária de 8 horas, abordando os seguintes tópicos:

  • causas e medidas preventivas de acidentes com inflamáveis;
  • respostas às emergências com combustíveis e inflamáveis;
  • noções de segurança de processo para plataformas;
  • segurança na operação das instalações elétricas em atmosferas explosivas.

Também deve ser realizada uma atividade prática a bordo da plataforma, com a indicação dos sistemas e equipamentos disponíveis para o combate a incêndio. Essa atividade deve ter, no mínimo, duração de 1 hora.

A reciclagem do treinamento avançado deve ser feita nos mesmos termos que já vimos, com uma observação importante: sempre incluir a atividade prática.

Diálogo Diário de Segurança

O Diálogo Diário de Segurança, ou DDS, deve ser realizado pela operadora da plataforma diariamente, antes do início das atividades operacionais. Para o DDS, devem ser considerados:

  • as tarefas que serão desenvolvidas, de forma simultânea ou não;
  • o processo de trabalho, os riscos e as medidas de proteção;
  • as causas dos alarmes de evacuação a bordo e as respectivas medidas de segurança a serem adotadas;
  • as paradas não programadas ocasionadas por incidentes operacionais.

É preciso elaborar um documento relatando os temas tratados, com a data, a rubrica do responsável e também de todos os participantes. Então, esse documento deve ser arquivado. As informações também podem ser inseridas na Permissão de Trabalho, para comprovar que o DDS foi realizado.

É assim que funciona o treinamento de trabalhadores embarcados em plataformas offshore. Por meio desses treinamentos, a operadora da plataforma prepara suas equipes para minimizar riscos, evitar incidentes e lidar com situações de perigo.

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