Turismo LGBTQIAPN+: segurança, respeito e inclusão em viagens

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O turismo LGBT movimenta bilhões de dólares e tem relevância crescente para o setor de viagens. Segundo dados apresentados pela Embratur na 10ª Conferência Internacional da Diversidade, em setembro de 2026, o turismo LGBTQIAPN+ movimentou cerca de US$ 357 bilhões no mundo em 2025 e pode chegar a US$ 604 bilhões até 2032. Nos Estados Unidos, uma pesquisa da Arival realizada em 2024 identificou que viajantes LGBTQ+ gastam, em média, 23% mais por atividade durante a viagem do que as demais pessoas viajantes. 

Mas os dados econômicos são apenas uma parte da conversa, que, na verdade, envolve diversidade, respeito e inclusão. Viajar envolve muito mais do que escolher um destino, comprar uma passagem e reservar um hotel. Para pessoas LGBTQIAPN+, a experiência também pode depender de fatores como segurança, legislação local e respeito à identidade de gênero e orientação sexual, além da qualidade do atendimento. E isso vale tanto para uma viagem a lazer quanto para uma viagem corporativa ou de incentivo, um intercâmbio ou o deslocamento para uma participação em evento corporativo. 

Para o turismo corporativo, olhar para essa realidade é ainda mais essencial: quando uma pessoa colaboradora viaja a trabalho, a responsabilidade da empresa não termina quando ela embarca. A escolha do destino, das empresas fornecedoras, do hotel, do deslocamento, dos serviços e dos canais de suporte também faz parte da experiência – e do cuidado com quem está viajando (duty of care).

Pensando nisso, montamos um guia completo de turismo LGBT, com informações sobre os destinos mais bem avaliados e seguros em 2026, os países que aparecem na outra ponta do ranking, a posição do Brasil e cuidados importantes com segurança, direitos, documentação e atendimento. Continue lendo!

Turismo LGBT também é turismo corporativo 

Imagem horizontal de turismo LGBT, em estilo fotográfico, que representa uma viagem internacional com elementos de turismo corporativo e diversidade. À esquerda, uma mala preta de viagem aparece coberta pela bandeira da comunidade LGBTQIAPN+ atual, com as seis cores do arco-íris e uma faixa em formato de seta nas cores branca, rosa-claro, azul-claro, marrom e preta, além de um círculo roxo sobre fundo amarelo. Ao centro, há um mapa-múndi azul com linhas pontilhadas indicando diferentes rotas e marcadores coloridos de destinos, com símbolos de avião, maleta, câmera, grupo de pessoas e hospedagem. À direita, aparecem parcialmente um computador portátil, um caderno com caneta e um celular, além de cartões de embarque em primeiro plano. Ao fundo, grandes janelas mostram uma cidade iluminada pelo pôr do sol e um avião em voo (foto gerada com IA).

Por muito tempo, quando se falava em turismo LGBT, o foco costumava ser em férias, eventos e destinos de lazer. 

Mas a comunidade LGBTQIAPN+ não pode ser esquecida, pois viaja a trabalho como qualquer outra. São pessoas colaboradoras e líderes que participam de congressos, reuniões, treinamentos, visitas a clientes, eventos, viagens de incentivo e projetos nacionais e internacionais. Também há profissionais que fazem intercâmbios, cursos, programas de estudo e trabalho ou períodos de mobilidade internacional. 

#PraCegoVer: as imagens desta publicação possuem texto alternativo para acessibilidade

Uma viagem corporativa pode envolver hospedagem, transporte, documentação, aeroportos, imigração, restaurantes, eventos, interações com empresas fornecedoras e muito mais. Para uma pessoa LGBTQIAPN+, todos esses pontos de contato podem representar experiências diferentes, dependendo do destino e da forma como o atendimento é conduzido.

Uma pesquisa realizada em 2024 com 405 viajantes LGBTQIAPN+ no Brasil, conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com apoio da IGLTA Foundation, mostrou também a importância da confiança: 77% das pessoas participantes usam o Instagram como fonte de informação e inspiração para viagens, 50,5% compraram viagens diretamente de fornecedores de serviços e 37,2% utilizaram agências físicas ou online. 

Em 2025, os resultados foram debatidos em um encontro de lideranças promovido pela IGLTA Foundation em São Paulo, no qual participantes discutiram a presença de preconceitos velados e discriminações ocultas no Brasil, apontados como fatores que ainda dificultam o crescimento do turismo LGBT no país. Para empresas, isso traz uma reflexão: a experiência da pessoa viajante também deve ser parte da experiência da marca e da política de viagens.

Um destino LGBT friendly vai além de uma bandeira colorida

No turismo LGBT, antes de embarcar, vale olhar além da comunicação turística. Os direitos conquistados em um país nem sempre acompanham a pessoa quando ela cruza uma fronteira. Segundo a ILGA World, 37 Estados-membros da ONU possuem algum tipo de reconhecimento jurídico para casais do mesmo gênero: 35 com igualdade plena no casamento, 1 com outra forma de parceria civil e 1 com diferentes níveis de proteção entre entidades subnacionais. Taiwan também reconhece o casamento entre pessoas do mesmo gênero. Já outros 65 Estados-membros da ONU ainda criminalizam relações sexuais consensuais entre pessoas do mesmo gênero.

Mapa-múndi em tons de roxo e branco que apresenta o reconhecimento legal do casamento entre pessoas do mesmo gênero e de uniões civis em diferentes países. No topo, o título em inglês “Same-Sex Marriage and Civil Unions” e a indicação “June 2026”. Os países aparecem classificados por diferentes tonalidades de roxo, de acordo com o tipo de reconhecimento legal, enquanto outros aparecem em branco. O fundo é bege. Na parte inferior, uma legenda identifica cinco categorias: casamento entre pessoas do mesmo gênero e uniões civis; casamento entre pessoas do mesmo gênero; união civil; situações que variam; e ausência de reconhecimento. O mapa é creditado à ILGA World e informa que os dados foram atualizados em junho de 2026.
Reconhecimento legal de casais do mesmo gênero – casamento e uniões civis (ILGA World, junho de 2026)

O mapa apresenta diferentes situações jurídicas: casamento entre pessoas do mesmo gênero e uniões civis, casamento entre pessoas do mesmo gênero, união civil, situações que variam conforme a jurisdição e ausência de reconhecimento. Isso ajuda a visualizar que os direitos relacionados às uniões entre pessoas do mesmo gênero não são uniformes entre os países.

Turismo LGBT e direitos além da fronteira

Na prática, no turismo LGBT, isso significa que um casamento reconhecido no Brasil pode não produzir os mesmos efeitos jurídicos no destino. Para famílias com duas mães ou dois pais, por exemplo, o reconhecimento da filiação e dos direitos parentais também pode variar. Para pessoas trans, documentação, reconhecimento de gênero e regras migratórias podem exigir atenção adicional. E, em determinados destinos, demonstrações de afeto em público podem estar sujeitas a restrições legais.

Por isso, planejar uma viagem LGBTQIAPN+ também significa conhecer o contexto jurídico do destino, verificar a documentação e considerar como direitos e proteções podem mudar de uma fronteira para outra. Infelizmente, a violência ainda integra esse cenário. No monitoramento mais recente da TGEU, 281 pessoas trans e de gênero diverso foram registradas como assassinadas entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025. Desde 2009, o levantamento contabilizou mais de 5,3 mil assassinatos. 68% dos casos registrados no período ocorreram na América Latina e no Caribe, e o Brasil concentrou 30% do total, mantendo a liderança pelo 18º ano consecutivo no monitoramento. A própria TGEU alerta que os números representam apenas os casos que puderam ser documentados e que a subnotificação é significativa.

Por isso, falar em turismo LGBT exige olhar para diferentes dimensões de um destino: legislação, segurança, ambiente social, direitos, infraestrutura, preparo das empresas fornecedoras e condições específicas para diferentes identidades.

Quais são os países mais e menos LGBT friendly em 2026?

Mapa-múndi estilizado sobre fundo claro, com os países e territórios representados em diferentes cores vibrantes, incluindo tons de amarelo, rosa, roxo, azul, verde, laranja e vermelho. As cores da bandeira LGBTQIAPN+ aparecem distribuídas de forma distinta entre as regiões do mundo, especialmente na América, Europa, África, Ásia e Oceania, representando diferentes classificações no índice de viagens LGBT. O mapa não apresenta nomes de países nem uma legenda visível.

Uma das referências internacionais de turismo LGBT utilizadas por viajantes é o SPARTACUS Gay Travel Index, publicado anualmente desde 2012 pelo guia de viagens Spartacus. A edição de 2026, apresentada pela Booking em parceria com a iniciativa Travel Proud, reúne informações sobre a situação de pessoas LGBTQIAPN+ em 217 países e regiões. 

O índice avaliou 18 categorias relacionadas à situação jurídica, às condições sociais e à experiência de pessoas LGBTQIAPN+ em cada destino, incluindo legislação antidiscriminação, casamento e união civil, adoção, direitos de pessoas trans, reconhecimento de pessoas intersexo e de uma terceira opção de gênero, igualdade na idade de consentimento, terapias de conversão, marketing LGBTQIAPN+, influência religiosa, restrições de viagem relacionadas ao HIV, leis anti-LGBTQIAPN+, criminalização das relações entre pessoas do mesmo gênero, proibição de Pride (orgulho), censura, hostilidade da população local, processos e perseguições, assassinatos e pena de morte. 

Entre os destinos mais bem avaliados da edição de 2026, seja para turismo LGBT ou para morar, estão: 

  • Islândia
  • Malta
  • Espanha 
  • Bélgica 
  • Canadá 
  • Alemanha 
  • Portugal 
  • Nova Zelândia 
  • Noruega 
  • Suíça 

A Islândia ocupa a primeira posição da edição de 2026. Malta e Espanha dividem o 2º lugar; Bélgica, Canadá, Alemanha e Portugal empatam em 4º; e Nova Zelândia, Noruega e Suíça dividem o 8º lugar.

Na outra ponta do ranking, os destinos que aparecem entre os últimos colocados são: 

  • Turcomenistão
  • Iraque
  • Emirados Árabes Unidos
  • Uganda
  • Somália
  • Afeganistão 
  • Chechênia 
  • Arábia Saudita 
  • Irã 
  • Iêmen 

O índice também registra piora da situação em países como Iraque, Sudão do Sul e Turcomenistão. 

E o Brasil? Na edição de 2026, nosso país aparece empatado na 32ª posição do SPARTACUS Gay Travel Index, com 6 pontos, ao lado da Argentina, México, Nepal e Reino Unido.  

A colocação precisa ser lida em conjunto com outros indicadores. Embora o Brasil tenha avanços importantes em direitos LGBTQIAPN+, a violência motivada pela LGBTfobia continua sendo uma realidade. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal determinou que atos de homofobia e transfobia fossem enquadrados nos tipos penais previstos na Lei do Racismo (Lei nº 7.716/1989), até que o Congresso edite legislação específica. 

Os dados mais recentes do Grupo Gay da Bahia registraram 257 mortes violentas de pessoas LGBT+ no Brasil em 2025. O levantamento é independente e voluntário, baseado em informações de mídia, redes sociais, blogs e correspondências enviadas ao GGB, e a organização ressalta a subnotificação dos dados. Por isso, um ranking nunca deve ser tratado como uma resposta automática para qualquer viajante. 

A experiência de uma pessoa gay, lésbica, bissexual ou pansexual pode ser diferente da experiência de uma pessoa trans. Uma família com duas mães pode enfrentar questões diferentes de um casal sem filhes. Uma pessoa trans, travesti ou não binária pode ter preocupações específicas com documentação e identificação. E diferentes dimensões também podem se cruzar na experiência de um mesmo indivíduo. Dentro de um mesmo país, ainda podem existir diferenças entre cidades, regiões e empresas fornecedoras. 

Portanto, informação atualizada e planejamento individualizado continuam sendo cruciais no turismo LGBT.

Documentação e atendimento a pessoas trans no turismo LGBT

No turismo LGBT, uma viagem pode envolver questões que vão muito além da escolha do destino. Para pessoas trans, o atendimento exige atenção a nome, pronomes, documentação e aos diferentes sistemas envolvidos na jornada. 

O Guia Prático de Atendimento a Pessoas Trans, desenvolvido pela colaboradora Teodora Pereira, é um dos capítulos do Guia de Diversidade e Inclusão da Biosfera Copastur e reúne orientações para que esses momentos sejam conduzidos com respeito e sem constrangimentos. Isso começa com o respeito ao nome e aos pronomes. 

Entre os cuidados está perguntar, em vez de presumir. Se houver dúvida sobre como chamar a pessoa, uma abordagem simples pode ser: “Para garantir a melhor experiência, como você prefere que eu te chame durante o atendimento?”. O guia também orienta a se desculpar e corrigir naturalmente eventuais erros, sem prolongar o constrangimento. 

Em reservas de hotéis e outros serviços, o nome social ou preferencial pode ser utilizado nos campos disponíveis, conforme a política da empresa fornecedora. Caso não exista um campo específico, é importante comunicar essa preferência diretamente à empresa fornecedora e, quando possível, registrá-la nas observações da reserva. 

Já na emissão de passagens aéreas, deve ser utilizado exatamente o nome que consta no documento oficial apresentado no embarque, por questões burocráticas. Essa diferença entre o nome pelo qual a pessoa prefere ser chamada e aquele que consta no documento exige atenção para evitar constrangimentos, erros ou retrabalho. 

No turismo LGBT, também podem existir limitações técnicas nos sistemas de reservas, como campos obrigatórios de gênero binário (excluindo pessoas não binárias) ou ausência de espaço para nome preferencial/social. Nesses casos, a orientação é não presumir nem ignorar a preferência da pessoa, é comunicar a limitação com transparência, utilizar os campos de observação quando disponíveis e registrar corretamente as informações que possam orientar o atendimento. 

Em viagens internacionais, esse cuidado precisa ser ainda maior. É importante conferir a correspondência entre bilhete e documento, pesquisar os direitos e as regras aplicáveis no destino e orientar sobre eventuais exigências migratórias. Tudo isso deve ser feito de maneira preventiva, respeitosa e sem expor ou julgar a pessoa viajante. 

Dicas práticas

Faça: 

  • Pergunte como a pessoa prefere ser chamada e quais pronomes utiliza;
  • Respeite o nome informado no atendimento;
  • Confira as regras de cada empresa fornecedora e sistema;
  • Explique limitações técnicas antes que gerem constrangimento;
  • Confira cuidadosamente a documentação em viagens internacionais. 

Evite: 

  • Presumir nome ou pronome pela aparência, pela voz ou pelo documento;
  • Questionar a identidade da pessoa ou mencionar seu “nome morto”;
  • Expor a divergência entre nome social e nome documental diante de outras pessoas;
  • Prometer à pessoa cliente algo que o sistema e a empresa fornecedora não permitem;
  • Deixar para descobrir exigências de documentação somente no momento do embarque. 

Atendimento humanizado no turismo LGBT começa antes do embarque 

Um atendimento verdadeiramente inclusivo não significa tratar todo mundo exatamente da mesma forma. O turismo LGBT precisa focar na equidade, princípio de justiça que reconhece as diferenças individuais e sociais para dar a cada pessoa o que ela precisa, de forma proporcional, para alcançar oportunidades reais e justas.

Como resume Teodora Pereira no próprio guia da Biosfera Copastur: “Atendimento inclusivo não é tratar todo mundo igual. É tratar cada pessoa com a equidade e o respeito necessários para que a jornada aconteça com fluidez” . Uma experiência verdadeiramente inclusiva começa antes do embarque. Isso significa ouvir, perguntar e personalizar o atendimento, em vez de partir de pressupostos sobre quem é a pessoa viajante ou sobre o que ela precisa. 

Pessoas LGBTQIAPN+ podem vivenciar diferentes barreiras ao viajar, e essas experiências também podem se cruzar com outras características e marcadores sociais. Uma mesma pessoa pode, por exemplo, pertencer a mais de um grupo minorizado e encontrar necessidades específicas ao longo da jornada. 

Por isso, inclusão no turismo LGBT também significa olhar para cada viajante de forma individual, entender seu contexto e evitar soluções baseadas em estereótipos ou suposições. 

Linguagem inclusiva e acessível faz parte do turismo LGBT

Respeito também começa na forma como nos comunicamos. O capítulo “Linguagem Inclusiva e Acessível”, desenvolvido pela colaboradora Renata Rocha para o Guia de Diversidade e Inclusão da Biosfera Copastur, reúne orientações para ampliar a representatividade, evitar exclusões e vieses e reconhecer diferentes identidades, sem tratar o masculino como padrão universal.

Isso é especialmente importante porque o uso do masculino como forma genérica pode invisibilizar indivíduos que não se identificam com esse padrão, como pessoas não binárias. Pequenas escolhas de vocabulário e estrutura podem tornar a comunicação mais representativa sem comprometer sua fluidez. Em vez de “os colaboradores”, por exemplo, é possível usar o coletivo “equipe” ou o recurso “pessoas” em “pessoas colaboradoras”. Isso também vale para termos como “pessoas viajantes”, “pessoas passageiras”, e outros.

Linguagem inclusiva e linguagem neutra também não são sinônimos. A inclusiva pode utilizar diferentes estratégias para ampliar a representatividade, inclusive formas que não são neutras. O mais importante é considerar o contexto e escolher uma comunicação que respeite e contemple todas as pessoas. Isso também envolve observar expressões que podem reforçar estereótipos ou excluir determinados grupos, mesmo quando parecem corriqueiras. Revisar palavras e frases, exemplos e formas de tratamento ajuda a identificar vieses e a construir uma comunicação mais representativa. 

A inclusão também passa pela acessibilidade da comunicação. Pessoas com deficiência podem encontrar barreiras para acessar informações no dia a dia, incluindo viagens e eventos. Recursos como descrição de imagens (texto alternativo), autodescrição, audiodescrição, Libras, legendas, closed caption e transcrição em tempo real podem tornar conteúdos e experiências mais acessíveis. 

A própria forma de apresentar a informação importa: textos claros, diretos e objetivos, boa organização do conteúdo e informações apresentadas em formatos acessíveis ajudam a reduzir barreiras. No turismo, isso pode fazer diferença em diversos momentos da jornada, desde o acesso às informações antes do embarque até a comunicação durante a experiência. 

Esses cuidados ganham ainda mais importância quando diferentes recortes se cruzam. Uma pessoa pode, por exemplo, ser LGBTQIAPN+ e também ter uma deficiência. Uma comunicação verdadeiramente inclusiva e acessível considera diferentes experiências e evita pressupor que todos os indivíduos terão as mesmas necessidades. 

Além de formas de linguagem inclusiva e representativa para todas as pessoas, o capítulo “Linguagem Inclusiva e Acessível” também traz orientações práticas para aplicar recursos de acessibilidade, incluindo como elaborar uma descrição de imagem #PraCegoVer e como fazer uma autodescrição ao se apresentar.

Na prática, uma pergunta simples pode fazer toda a diferença no turismo LGBT e de pessoas com deficiência: “Existe alguma necessidade específica que devemos considerar nesta viagem?”.

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Guia de Diversidade e Inclusão da Biosfera Copastur: um ponto de partida 

Para transformar tudo isso em prática e apoiar outras empresas e pessoas, a Biosfera Copastur reúne orientações no seu Guia de Diversidade e Inclusão, um manual completo de conscientização, gratuito e com mais de 50 páginas, criado para ampliar o conhecimento sobre diversidade, equidade e inclusão dentro e fora do ambiente de trabalho.  

O conteúdo percorre diferentes dimensões de DE&I, começando pelos conceitos de diversidade, inclusão e equidade e pelo papel de uma pessoa parceira de equidade. Também aborda a comunidade LGBTQIAPN+, diversidade racial, gênero, pessoas com deficiência e neurodivergentes, diversidade corporal e geracional. Ao longo do material, você encontra conceitos, termos, símbolos, mitos desconstruídos, estereótipos e situações que ajudam a compreender diferentes experiências e reconhecer formas de discriminação que devem ser combatidas no cotidiano.   

O Guia também reúne materiais práticos, como o Guia Prático de Atendimento a Pessoas Trans, desenvolvido pela colaboradora Teodora Pereira, e o Manual de Linguagem Inclusiva e Acessível, desenvolvido pela colaboradora Renata Rocha, que aprofundam situações diretamente relacionadas ao atendimento, à comunicação e à acessibilidade. 

Indo além de reunir conceitos, a proposta é oferecer referências para identificar barreiras, rever comportamentos e transformar conhecimento em atitudes mais respeitosas, equitativas e inclusivas. O material é atualizado periodicamente pela Biosfera Copastur, acompanhando a evolução das discussões sobre diversidade e inclusão.

Uma experiência real de turismo LGBT

Uma experiência real de turismo LGBT mostra como identidade e representatividade podem fazer parte da relação com um destino.

Samuel Gomes, homem negro e gay, é publicitário, escritor, criador de conteúdo e consultor de Diversidade e Inclusão. Criador do projeto Guardei no Armário, ele cresceu na periferia de São Paulo e construiu sua trajetória profissional a partir de temas ligados à diversidade racial e LGBTQIAPN+.

Em 2024, Samuel realizou um intercâmbio para a África do Sul com o Change Programs, marca da Biosfera Copastur. Assista à parte 1 da sua série “Meu Olhar”!

Leia também: BioConexão: viagens sustentáveis de incentivo com propósito e responsabilidade socioambiental

Soluções para uma jornada mais segura, personalizada e inclusiva

O cuidado com a experiência de quem viaja também passa por informação, atendimento humanizado e suporte ao longo de toda a jornada. Na Biosfera Copastur, isso se conecta a diferentes soluções para viagens corporativas e a lazer.

A marca Change Programs oferece intercâmbios, cursos e programas completos no exterior, enquanto a marca PassForAll dá assessoria para a emissão de vistos e passaporte brasileiro. O 24ours amplia o atendimento para todas as marcas da Biosfera Copastur, com suporte 24 horas por dia, 7 dias por semana.

No turismo corporativo, o SuperApp C+ integra viagens, gastos, aprovações e muito mais em um só lugar, incluindo a agente de IA Zuri, que personaliza a jornada. Já o C+ TripCare apoia a gestão de riscos ao acompanhar acontecimentos que podem afetar viagens e identificar potenciais impactos em viajantes para agir a tempo.

Em diferentes contextos, a tecnologia da Biosfera Copastur ajuda a organizar informações e antecipar necessidades, enquanto o atendimento humanizado contribui para compreender cada situação e oferecer o suporte adequado.

Além disso, a Biosfera Copastur é uma Empresa B™ certificada, reconhecimento concedido pelo B Lab™ a organizações que atendem a padrões de desempenho social e ambiental, transparência e responsabilidade. Esse compromisso se conecta a iniciativas contínuas de diversidade e inclusão, com uma Área de D&I e um Comitê, que promovem treinamentos, ações de conscientização para a equipe e outras iniciativas ao longo do ano.

Turismo LGBT é sobre o direito de viajar com segurança e respeito

Como vimos ao longo deste post, planejar uma viagem de turismo LGBT vai muito além de escolher um destino considerado acolhedor para essa comunidade. É preciso considerar direitos, segurança, documentação, atendimento e as diferentes experiências que podem atravessar a jornada de cada pessoa.

Para quem viaja a trabalho, essa atenção ganha outra dimensão: garantir uma experiência segura e respeitosa também faz parte do cuidado da empresa com suas pessoas colaboradoras. Mais informação significa mais possibilidades de antecipar barreiras, fazer escolhas conscientes e oferecer suporte quando necessário.

Afinal, uma viagem inclusiva não é aquela em que todas as pessoas recebem exatamente o mesmo atendimento, mas aquela em que cada pessoa encontra condições para viver sua experiência com respeito, segurança e dignidade.

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