Copa do Mundo Feminina 2027 coloca viagens corporativas no centro do planejamento das empresas 

Compartilhe este conteúdo:
copa do mundo 2027

Com 64 partidas em oito cidades e projeção de R$ 8,8 bilhões em movimentação econômica, torneio amplia a importância de antecipar hospedagem, mobilidade, segurança e eventos corporativos 

Uma Copa do Mundo que deve movimentar R$ 8,8 bilhões na economia brasileira não termina nos estádios. A Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027 será realizada de 24 de junho a 25 de julho, com 64 partidas distribuídas por oito cidades-sede. Para empresas que mantêm operações, equipes, clientes ou fornecedores nesses mercados, o calendário esportivo acrescenta uma variável importante ao planejamento de viagens, eventos e mobilidade. 

A dimensão econômica ajuda a explicar o tamanho dessa variável. De acordo com um estudo da FGV Projetos elaborado para a Embratur, durante as etapas de preparação e realização da competição, haverá uma movimentação de R$ 8,8 bilhões no país. A projeção inclui R$ 3,8 bilhões de incremento no PIB, 73,7 mil postos de trabalho diretos e indiretos, R$ 4,5 bilhões em rendimentos e R$ 928 milhões em arrecadação tributária. Do total movimentado, R$ 4,7 bilhões estão associados aos gastos do público e R$ 4,1 bilhões à organização do torneio. 

Será também a primeira Copa do Mundo Feminina realizada na América do Sul. Os jogos estarão distribuídos em oito cidades brasileiras: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Em cada uma delas, o calendário divulgado pela FIFA prevê pelo menos sete partidas, incluindo ao menos um jogo de mata-mata. São Paulo concentrará dez partidas, entre elas uma semifinal e a disputa pelo terceiro lugar. Já o Rio de Janeiro receberá a abertura e a final, ambas no Maracanã, além de uma semifinal. 

Essa distribuição é particularmente relevante para o mercado corporativo. Não se trata de um evento concentrado em uma única cidade, mas de uma competição que, durante um mês, movimentará diferentes mercados brasileiros em momentos distintos. Torcedores, delegações, imprensa, patrocinadores, fornecedores e profissionais envolvidos na operação estarão circulando pelas oito cidades-sede, enquanto a demanda por hospedagem, transporte, alimentação, espaços para eventos e outros serviços tende a acompanhar o calendário de cada local. 

O impacto pode aparecer de diferentes formas e também chegar ao orçamento. Uma equipe que já viaja regularmente para São Paulo, por exemplo, poderá encontrar um cenário de maior ocupação justamente em um período em que a operação precisa continuar funcionando normalmente. Em outra cidade, o efeito pode estar na disponibilidade de veículos, no tempo de deslocamento ou na dificuldade de acomodar uma equipe inteira. Há ainda empresas que precisarão conciliar viagens de trabalho com eventos, reuniões com clientes e agendas de relacionamento programadas para o mesmo período. 

Essas pressões não acontecerão ao mesmo tempo nem da mesma maneira em todas as cidades. O calendário de jogos cria diferentes momentos de demanda ao longo da competição, o que pode afetar disponibilidade, logística e custos. Por isso, para quem administra viagens, eventos e mobilidade corporativa, antecipar datas e localidades passa a ser também uma forma de proteger o orçamento. 

O calendário da Copa do Mundo entra na gestão de viagens 

O calendário esportivo não determina sozinho o comportamento das empresas, mas cria um cenário que exige antecipação. Uma viagem de um executivo a São Paulo para uma reunião, por exemplo, pode coincidir com uma sequência de partidas e com maior demanda por hospedagem, transporte e serviços. O mesmo vale para equipes comerciais que recebem clientes, fornecedores que atendem operações locais ou empresas que programam reuniões, convenções e eventos durante o período da competição. 

É justamente nesse ponto que a gestão de viagens deixa de ser apenas uma atividade de execução. É preciso um planejamento que avalie melhor datas, cidades, disponibilidade, políticas de viagem, orçamento, deslocamentos e riscos operacionais. Portanto, a pergunta deixa de ser apenas quanto custa uma viagem e passa a incluir quando ela deve acontecer, qual rota faz sentido e quais alternativas existem caso o cenário mude. 

A própria FIFA destaca que o calendário de 2027 foi estruturado considerando as distâncias entre as cidades e o tempo de recuperação das equipes. Para as empresas, a distribuição dos jogos por diferentes mercados também traz uma questão operacional: coordenar viagens, hospedagem, deslocamentos e compromissos em cidades e datas distintas exige mais visibilidade e antecedência. 

Custos podem exigir decisões antes da reserva 

A Copa do Mundo de 2027 acontecerá em um momento em que o mercado global de viagens corporativas já convive com pressão sobre custos e preocupações relacionadas à segurança. 

Esse cenário ganha ainda mais relevância diante das pressões que já fazem parte da gestão de viagens. Segundo uma pesquisa da Global Business Travel Association (GBTA), realizada entre 25 de março e 8 de abril de 2026 com 539 profissionais de diferentes regiões do mundo, 82% dos entrevistados apontaram a acessibilidade financeira das viagens como uma preocupação para 2026. A segurança dos funcionários durante os deslocamentos foi citada por 67%, enquanto 43% dos compradores de viagens esperavam aumento dos gastos corporativos ao longo do ano. O levantamento não é específico do Brasil e, portanto, não representa diretamente o comportamento das empresas brasileiras. Ainda assim, ajuda a contextualizar o ambiente global em que a Copa será realizada. 

Diante desse quadro, antecipar não significa simplesmente comprar tudo com meses de antecedência. É preciso entender quais deslocamentos são indispensáveis, aqueles que podem ser remanejados, confirmar as datas que exigem mais atenção e onde existem alternativas de hospedagem e mobilidade. 

O olhar também deve se voltar para dentro da própria empresa. Cruzar a programação da Copa com a agenda corporativa pode mostrar conflitos que, à primeira vista, passariam despercebidos. Uma viagem que normalmente seria simples pode exigir mais planejamento quando coincide com uma partida, um evento corporativo ou um período de maior ocupação em determinada cidade. 

Hospitalidade corporativa vai além do ingresso da Copa

A Copa do Mundo Feminina 2027 também pode ocupar um espaço na estratégia de relacionamento das empresas. Para organizações que pretendem receber clientes, parceiros, fornecedores ou potenciais clientes durante o torneio, a experiência começa antes da partida e não termina com o final do jogo. 

Portanto, é exatamente nesse contexto que a hospitalidade corporativa ganha relevância. Mais do que comprar ingressos, trata-se de definir quem convidar, qual relacionamento a empresa pretende fortalecer, que conversas podem surgir e como o encontro se conecta aos objetivos do negócio. A partida é apenas o ponto de encontro, mas o relacionamento construído em torno dela é o que pode dar sentido à iniciativa. 

Há diferentes formas de transformar o período em uma agenda de relacionamento. A empresa pode reunir clientes estratégicos, receber parceiros em sua sede, organizar encontros nas cidades que receberão os jogos ou criar uma programação voltada a potenciais clientes e fornecedores. A presença de diferentes públicos em um mesmo destino também favorece encontros que, em outras circunstâncias, dificilmente aconteceriam. 

Esse movimento não precisa se limitar ao relacionamento com o mercado. Para organizações com operações em diferentes regiões, a Copa do Mundo Feminina ainda permite criar uma ocasião para reunir equipes que raramente estão juntas presencialmente. 

Por isso, mais do que entrar no clima da Copa, o desafio é entender como o evento pode contribuir para os objetivos de relacionamento da empresa e integrar essas iniciativas ao calendário corporativo. 

Onde a inteligência artificial pode ajudar

É nesse tipo de planejamento que a inteligência artificial pode ganhar espaço na gestão de viagens corporativas e na estratégia de relacionamento. Ao cruzar dados de viagens, calendário de jogos, agenda de eventos, perfil dos convidados e histórico de deslocamentos, a tecnologia pode ajudar a identificar oportunidades, antecipar conflitos e apoiar a tomada de decisão.

Na prática, isso pode significar encontrar a melhor janela para reunir clientes estratégicos, identificar períodos de maior concentração de viajantes, sugerir alternativas de deslocamento ou organizar informações para uma ação de hospitalidade corporativa. O trabalho deixa de depender apenas de consultas isoladas e passa a contar com uma visão mais ampla do cenário.

A tecnologia também pode apoiar a experiência depois que o planejamento está definido. Informações sobre convidados, deslocamentos, horários e programação podem ser organizadas para facilitar a operação e permitir que as equipes se concentrem no que a tecnologia não faz sozinha: construir relações.

No fim, a questão não é usar inteligência artificial porque ela está disponível. É entender onde a IA pode gerar informação útil para uma decisão melhor e incorporá-la à estratégia de viagens, relacionamento e eventos da empresa.

Como preparar a empresa para a Copa do Mundo Feminina 2027 

O calendário já está definido. Em agosto de 2026, a FIFA divulgou a distribuição das 64 partidas pelas oito cidades-sede. Com isso, as empresas deixam de trabalhar apenas com a possibilidade de aumento da demanda e passam a enxergar com mais clareza onde e quando a competição poderá afetar viagens, hospedagem, mobilidade e compromissos profissionais. 

A preparação pode começar por cinco movimentos: 

Mapear as viagens previstas: identificar colaboradores, clientes e fornecedores que deverão circular pelas cidades-sede durante a competição e antecipar os deslocamentos que já podem ser previstos. 

Cruzar os calendários: comparar os dias dos jogos com reuniões, convenções, eventos, visitas comerciais e outros compromissos já programados. Esse cruzamento ajuda a identificar possíveis conflitos antes que eles afetem a operação. 

Revisar hospedagem e mobilidade: verificar contratos, disponibilidade, rotas alternativas e políticas de viagem, principalmente nas datas que podem concentrar maior demanda. 

Simular cenários: avaliar como mudanças em voos, hospedagem ou programação podem afetar custos, deslocamentos e compromissos, além de definir alternativas para situações que fujam do planejamento inicial. 

Reforçar o duty of care: garantir visibilidade sobre os viajantes e manter canais de comunicação preparados para orientar as equipes diante de alterações, imprevistos ou situações de emergência. 

A partir daí, o planejamento ganha uma camada mais específica: cruzar esse mapa com a realidade de cada organização, considerando histórico de viagens, contratos de hospedagem, políticas internas, calendário de eventos, operações regionais, perfil dos viajantes e necessidades de clientes e fornecedores. 

A Copa do Mundo começa antes do primeiro jogo 

A Copa do Mundo Feminina de 2027 ainda não começou, mas já produz informações que podem orientar decisões empresariais. Para quem administra viagens corporativas, o valor não está apenas em saber o que acontecerá, mas em cruzar essas informações com a própria operação e identificar, com antecedência, onde podem surgir pressões, oportunidades ou mudanças de rota. 

Para Edmar Mendoza, CEO da Biosfera Copastur, o desafio não é apenas operacional: “A Copa não deve mudar apenas o volume de viagens. Ela vai obrigar as empresas a escolher com mais precisão onde a presença física faz diferença. Nem todo deslocamento precisa acontecer naquele mês, mas reuniões estratégicas, relacionamento com clientes, integração de equipes e experiências compartilhadas ganham outro peso quando ocorrem em um contexto como esse. O papel da tecnologia é dar clareza para essa escolha: entender o movimento, antecipar restrições e identificar os encontros que realmente geram valor. Quem tratar a Copa apenas como um problema de logística vai reagir tarde. Quem enxergá-la como uma janela de decisão pode transformar um período de pressão em vantagem competitiva.”

É aí que planejamento e tecnologia se encontram. Dados sobre viagens, calendário, hospedagem, mobilidade e deslocamentos podem ser organizados para revelar padrões, antecipar cenários e apoiar escolhas mais precisas. A tecnologia ajuda a enxergar possibilidades. Cabe à gestão decidir o que fazer com elas. 

No fim, a Copa do Mundo Feminina de 2027 será um grande evento esportivo. Para as empresas, também será um exercício de planejamento: entender o movimento antes que ele aconteça, preparar alternativas e transformar informação em decisão. 

A escala econômica do torneio dá a dimensão do que está por vir. O diferencial, para cada organização, estará na capacidade de transformar essa dimensão em planejamento concreto para seus negócios, suas viagens e suas pessoas. 

O planejamento começa antes da viagem 

Há mais de 50 anos, a Copastur acompanha as mudanças que transformam a maneira como empresas e pessoas se deslocam. A Copa do Mundo Feminina de 2027 traz um novo cenário, com desafios e oportunidades que já podem ser analisados. 

Para quem administra viagens corporativas, antecipar movimentos é parte da gestão. E quanto antes a empresa entender como esse contexto pode afetar sua operação, mais elementos terá para tomar decisões com segurança, eficiência e visão de longo prazo. 

Posts Relacionados

Rolar para cima