CEO Edmar Mendoza , incluído entre os 100+ Poderosos do Turismo PANROTAS 2026, fala sobre inteligência artificial, qualificação profissional e os rumos da Copastur na gestão de viagens corporativas
A Copastur avança em sua estratégia AI First para transformar a gestão de viagens corporativas , após investir mais de R$ 130 milhões em tecnologia . A companhia amplia agora a prioridade dada ao desenvolvimento de pessoas, preparando profissionais para um modelo de gestão em que inteligência artificial, dados e automação assumem uma parcela crescente das operações, com foco em precisão, eficiência e capacidade de antecipação. O movimento marca uma nova etapa da transformação da empresa: integrar tecnologia e conhecimento humano para responder às demandas de um mercado cada vez mais orientado por dados.
A mudança acontece em uma empresa que, em 2025, movimentou R$ 2,5 bilhões em vendas com o apoio de mais de 800 pessoas colaboradoras. Em uma operação dessa escala, gerir viagens corporativas já não significa apenas encontrar tarifas, reservar voos ou emitir bilhetes. Segurança, produtividade, experiência do viajante, previsibilidade, informação e capacidade de resposta passaram a fazer parte da mesma equação.
O cenário internacional reforça essa pressão. Segundo a Global Business Travel Association (GBTA) , os gastos globais com viagens corporativas devem alcançar US$ 1,71 trilhão em 2026 , alta de 7,2%, enquanto o número de viagens deve crescer 1,3%, para cerca de 1,84 bilhão. A diferença entre os dois indicadores reflete, entre outros fatores, o impacto dos custos de transporte e viagem sobre a operação.
Para empresas e gestores de viagens, a consequência é direta: controlar tarifas continua importante, mas a gestão de viagens corporativas precisa considerar o custo total do deslocamento e a capacidade de evitar problemas antes que eles afetem o negócio.
É nesse contexto que a Copastur coloca o desenvolvimento de pessoas como uma das prioridades da próxima fase. A tese também acompanha uma transformação mais ampla no mercado de trabalho. O Future of Jobs Report 2025 , do World Economic Forum , estima que 39% das competências essenciais dos trabalhadores deverão mudar até 2030. O estudo aponta ainda que 77% dos empregadores planejam investir em qualificação para que suas equipes trabalhem com as novas tecnologias.
Em setembro, Edmar Mendoza , CEO da Copastur, foi incluído entre os 100+ Poderosos do Turismo PANROTAS Curaçao 2026 . O reconhecimento ocorre durante uma fase de transformação da empresa, que combina investimentos em tecnologia, dados e inteligência artificial com uma estratégia de desenvolvimento profissional.
Para uma companhia com mais de cinco décadas de atuação , o desafio não é apenas incorporar novas ferramentas, mas preparar a organização para trabalhar em um ambiente no qual a tecnologia executa uma parcela crescente das atividades e amplia o espaço para que as pessoas analisem, decidam e antecipem situações.
A estratégia AI First coloca uma questão central para a gestão: como incorporar a inteligência artificial aos processos e às decisões sem perder o conhecimento operacional e a capacidade humana de avaliar situações complexas? É sobre essa mudança, o impacto da inteligência artificial no trabalho e os próximos passos da Copastur até 2027 que Edmar Mendoza fala nesta entrevista.
Confira a entrevista:
A Copastur está direcionando um esforço massivo para o desenvolvimento de pessoas depois de investir mais de R$ 130 milhões em tecnologia. O que esse movimento diz sobre a empresa que vocês querem construir?
Edmar Mendoza: Nossa estratégia evoluiu muito, mas a tese central permanece a mesma: transformar informação em decisões melhores para o cliente. Nos últimos anos, construímos capacidade própria em sistemas, integrações, automação e inteligência aplicada. Com a disseminação da inteligência artificial, o diferencial deixa de estar apenas na tecnologia disponível, que tende a se tornar cada vez mais acessível, e passa a estar na capacidade de usá-la com critério. A próxima etapa – que aliás já iniciamos com força total – é preparar as pessoas colaboradoras para interpretar contextos, questionar dados e decidir em situações complexas. A IA muda ainda mais a divisão do trabalho em 2027 : a máquina amplia a capacidade de enxergar, mas cada profissional decide o que fazer com o que enxerga.
O mercado de viagens corporativas deve crescer no Brasil em 2027, mas os custos avançam ainda mais rapidamente no cenário global. Que mudanças esse ambiente traz para a forma como as empresas administram suas viagens?
Edmar Mendoza: Precisamos ampliar a visão sobre custo. Muitas empresas ainda avaliam uma viagem pelo preço da passagem, mas ignoram o impacto de uma conexão perdida, de horas improdutivas, de uma alteração de agenda ou de uma situação que comprometa a segurança do viajante. Quando os custos sobem, a eficiência da operação se torna ainda mais decisiva. A gestão de viagens precisa enxergar o custo total, eliminar desperdícios e identificar situações capazes de interromper o negócio. Uma passagem mais barata pode custar caro se deixar o executivo fora de uma reunião relevante ou exposto a um risco evitável.
A inteligência artificial já entrou em diferentes pontos da operação. Onde você vê hoje o maior impacto prático dessa tecnologia dentro da Copastur?
Edmar Mendoza: No processamento de informações em escala e em tempo real. A plataforma C+ TripCare, por exemplo, cruza ocorrências, alertas e itinerários para identificar viajantes que podem ser afetados por uma interrupção, um risco ou uma mudança inesperada. A tecnologia acelera a identificação dessas situações. O profissional avalia o contexto, define a resposta e orienta as medidas necessárias para proteger o viajante. Esse modelo permite ampliar a capacidade de monitoramento sem abrir mão do julgamento humano nas decisões. Nossa equipe vem sendo treinada para dar todo suporte para nossos clientes.
A busca por soluções reais levou a Biosfera Copastur a realizar recentemente um hackathon de inteligência artificial em parceria com a CrewAI, focado no desenvolvimento de agentes inteligentes. Como essa iniciativa se conecta à estratégia da empresa?
Edmar Mendoza: O hackathon nos permitiu explorar como agentes de inteligência artificial podem contribuir para desafios concretos da operação. A proposta é aproximar tecnologia, conhecimento dos profissionais e necessidades do negócio. Mais do que desenvolver uma solução tecnicamente interessante, queremos identificar aplicações capazes de melhorar processos, apoiar decisões, reduzir riscos ou economizar tempo. O resultado mais importante é transformar a experimentação em aprendizado prático e identificar oportunidades para aplicar a inteligência artificial de forma útil, com benefícios concretos para a operação e para os clientes.
Com máquinas assumindo parte da execução, quais competências passam a diferenciar os profissionais de uma empresa de gestão de viagens?
Edmar Mendoza: Repertório, capacidade analítica e autonomia diante do imprevisível. A tecnologia executa com velocidade, mas não substitui a leitura de contexto, o conhecimento do cliente nem a capacidade de encontrar uma alternativa quando o plano original deixa de funcionar. O diferencial estará em quem consegue transformar informação em decisão rápida e responsável. E em quem entende que, por trás de cada itinerário, existe uma pessoa com uma agenda, uma responsabilidade e, muitas vezes, uma urgência real.
Se o acesso às ferramentas de IA tende a se tornar cada vez mais democrático, o que passa a diferenciar uma empresa da outra?
Edmar Mendoza: A qualidade das decisões e a capacidade de executá-las. Ter acesso à tecnologia não garante resultado. É preciso conhecer profundamente a operação, trabalhar com dados confiáveis e converter informação em ação. A experiência acumulada também pesa: ela permite reconhecer padrões, identificar riscos e fazer as perguntas certas antes que um problema se manifeste. A diferença não estará apenas nas ferramentas utilizadas, mas na capacidade de aplicá-las com estratégica, empatia e responsabilidade para resolver problemas concretos do negócio.
O conceito de TMC também está mudando. Na sua visão, qual será o papel de uma empresa de gestão de viagens corporativas daqui a dois anos?
Edmar Mendoza: A TMC precisa deixar de ser vista apenas como a empresa que reserva e emite. Seu papel será o de um parceiro de gestão, integrando mobilidade, informação, segurança, experiência e eficiência. O cliente não quer apenas uma passagem emitida no prazo. Ele precisa entender como organizar seus deslocamentos com menos riscos, menos desperdício e melhores resultados para o negócio. Isso exige uma atuação que vá além da execução, com análise, orientação e participação nas decisões.
A Copastur tem mais de cinco décadas de história. Como transformar esse conhecimento acumulado em vantagem para uma empresa que precisa continuar mudando?
Edmar Mendoza: Experiência vale quando melhora a decisão. Nossa história nos permite reconhecer ciclos, compreender mudanças de comportamento e aprender com diferentes momentos do mercado. Mas o conhecimento acumulado também pode se transformar em acomodação. Portanto, nosso desafio é preservar o que aprendemos sem transformar nossas certezas em limites. Continuamos testando soluções, avaliando resultados e corrigindo a rota quando necessário.
O que você quer encontrar na Copastur ao final de 2027 que ainda não existe hoje?
Edmar Mendoza: Quero uma Copastur que participe de forma ainda mais estratégica das decisões de seus clientes. Isso significa ajudar as empresas a compreender o impacto das viagens sobre seus custos, suas operações e seus objetivos de negócio. Temos uma base tecnológica e uma experiência de mercado que nos permitem avançar nessa direção. O desafio para 2027 é transformar essa capacidade em soluções que combinem inteligência, eficiência e, sobretudo, o cuidado dos nossos profissionais com cada cliente e viajante.